O Petróleo, a maior fonte de energia primária do planeta

Desde a sua descoberta, em finais do Século XIX, que o petróleo é vital para a economia das nações. Tornou-se num produto estratégico por excelência e a garantia do seu abastecimento tem sido a causa de muitos dos conflitos que o mundo tem vivido desde então. Para além dos combustíveis comuns, a química do petróleo originou o aparecimento de uma enorme quantidade de produtos derivados, que fazem parte integrante do quotidiano das sociedades desenvolvidas. Daí a importante influência que as variações do preço do petróleo causam à economia do planeta.

As reservas comprovadas de petróleo não param de aumentar, com uma importante contribuição recente do “offshore”, que devido aos avanços tecnológicos, tem tornado possível a sua exploração e produção em águas cada vez mais profundas. Desde 1995, as reservas provadas aumentaram sempre mais de 20% por década, aumentando cerca de 51% no período de 1995 a 2015. As atuais reservas da Europa e Euro Ásia cifram-se em 21.000 milhões de toneladas, cerca de 9% das reservas globais, 65 % pertencendo à federação Russa. Os países da OPEC controlavam em 2015 cerca de 72% das reservas globais. Venezuela (18%), Arábia Saudita (16%), Canadá (10%), Irão (9%), Iraque (8%), Federação Russa (6%), Koweit (6%), são os maiores detentores atuais de reservas de petróleo provadas.

O petróleo é a principal fonte de energia primária, alimentando, por exemplo, quase 95% dos transportes a nível global. As restantes fontes principais de energia primária são o gás natural e o carvão, para além da nuclear, da hídrica e das energias renováveis.

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A procura global de energia vai continuar a aumentar, acompanhando naturalmente a expansão da economia mundial: prevê-se que o PIB global mais que duplique nas próximas duas décadas. Embora a intensidade energética esteja a diminuir (a quantidade de energia necessária para produzir uma unidade de PIB), mesmo com excecionais ganhos em eficiência energética, estima-se que a procura global de energia aumente mais de 30% no período. Segundo a atual estimativa do “BP Energy Outlook 2035”, o consumo de petróleo deverá aumentar cerca de 20% nas próximas duas décadas, embora diminua a sua quota de energia primária. O maior aumento percentual está previsto para as energias renováveis, com previsão de aumento de 400%, atingindo uma quota de 8% da energia primária consumida em 2035. Mas o maior aumento em quantidade de energia está reservado para o gás natural, cujo consumo crescerá mais de 40% (mais 1.400 milhões de toneladas de petróleo equivalente – Mtoe) e atingindo uma quota de 25% da energia primária consumida em 2035.

Atualmente cerca de 42% da energia primária é transformada em energia elétrica, sendo esta a forma de energia cujo consumo mais cresce, estimando-se que atinja cerca de 45% do total da energia primária consumida em 2035. Para a produção de energia elétrica concorrem todas as energias primárias, sendo que os maiores aumentos estão reservados para o gás natural e as renováveis, em detrimento do carvão, que é e continuará a ser a principal fonte primária. Em 2015 cerca de 60% do carvão consumido a nível global foi utilizado para a produção de eletricidade.

Uma referência sobre a produção de emissões de carbono, que naturalmente vão continuar a aumentar. Porém, estima-se que o aumento anual se reduza para metade, de 2,1% para 0,9% ao ano em 2035. Este é um dos cenários mais difíceis de prever, já que está dependente da tomada de um conjunto de medidas a nível global, com uma forte componente política e relacionadas com a imposição de maior redução das emissões de CO2 nos transportes, e a diminuição do consumo de carvão.

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Domingos Delgado

Formador na área do Petróleo e Gás natural, downstream e upstream. Especialista também na área da lubrificação, lubrificantes e gestão de resíduos. Consultor de engenharia e gestão. Licenciado em Engenharia Mecânica (IST), vasta e diversificada carreira profissional em multinacionais do petróleo, incluindo cargos de gestão internacional.

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