Globalização e Sustentabilidade – um Olhar Logístico

O jovem mas fustigado século XXI é rico em eventos históricos que merecem ser recordados bem como de assinaláveis ocorrências no plano económico, social e até mesmo civilizacional. No caso das ocorrências destacamos os setenta anos da II Guerra Mundial, o centenário do início da I Guerra Mundial, os 25 anos da Queda do Muro de Berlim, entre tantos outros factos históricos relevantes. Quanto ao desenvolvimento civilizacional, e sem juízos de valor, a globalização económica, que marcou, marca e marcará o século XXI. Mas, igualmente o grande colapso de 2008, a crise das dívidas soberanas, o ocaso da indústria do petróleo, a crise dos refugiados, o aumento das temperaturas, o degelo das calotas polares trazem de novo a inquietação e ansiedade que se julgavam de todo encerradas no século passado. E talvez com mais força.

Nos dias que vivemos podem traçar-se pontos de contacto, linhas de continuidade e fractura entre o passado do século XX e os nossos dias dominados pelo fenómeno a que chamamos globalização. A evolução do saber logístico, nas suas mais diversas e ricas perspectivas, contribui, e muito, para o advento da globalização e com isso, a emergência de nações, estados e camadas significativas da população para níveis de desenvolvimento incomparavelmente melhores que os do século XX.

A História é composta de uma massa contraditória e conflituosa entre gentes, povos e regiões e entre a sociedade/civilização e o planeta. A dimensão, possível, deste texto não admite grandes desenvolvimentos, mas devemos colocar imperiosamente, uma questão. O sucesso da gestão logística, a evolução da rede logística quanto contribui para a redução assustadora dos recursos naturais e para a degradação das condições do Planeta Terra? Até colocando em causa a possibilidade da raça humana subsistir enquanto sociedade, sociedade desenvolvida e progressista? Pessimismo, assim, espero, mas a história está cheia de optimistas enganados.

Seremos nós, profissionais da “logística” desencadeadores, ou tão só facilitadores da abertura de “caixas de Pandora” quanto a sustentabilidade do nosso Planeta. Não se leia aqui algum desprezo pelo desenvolvimento das competências logísticas, bem pelo contrário. Tão só uma inquietação. O nosso processo e modelo de crescimento deve, e pode, poderá (?), passar por outra via que procure a melhor utilização dos recursos, uma melhor distribuição da riqueza gerada, a redução da desigualdade e ao mesmo tempo a redução das ameaças ambientais?

O Saber Logístico ou melhor uma Estratégia de Desenvolvimento que tenha como centro a eficiência e racionalidade logística será um factor nuclear na implementação de soluções económicas e sociais que enfrente com realismo os problemas eco-ambientais de cariz global. Concluo com uma sugestão de leitura, a saber “Prosperidade sem Crescimento” de Tim Jackson da Tinta da China e o “Pós –Capitalismo” de Paul Mason da Objectiva, que enquadram o tema da Sustentabilidade e que a nós profissionais da Logística tanto diz.

José Fragoso Henriques

José Fragoso Henriques

Director de operações/serviços e consultor em várias empresas da área de logística e Transportes, com mais de 30 anos de experiência como consultor, quer ao nível nacional quer internacional.

 

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