Internacionalizar em 3,2, … Stop!

Depois da Europa, América, agora é África que faz parte da minha rotina diária. Novidade? Tendência? As relações comerciais remontam às trocas tribais, embora o maior impulso no Comércio Mundial se tenha dado graças às grandes viagens dos séculos XV e XVI e à formação dos impérios coloniais.

É sabido que nem todas as empresas têm a ambição (ou perfil!) para se internacionalizarem, mas é evidente que a tendência se tem generalizado um pouco por todo o Mundo. A par disso, a internacionalização também tem crescido em grau de preocupação e complexidade:

  • o comércio externo de transportes, serviços financeiros, turismo, publicidade, comunicação de massas, novas tecnologias apelam a novas regras e novas formas de negócio;
  • a explosão da Internet, a crescente liberalização do comércio e o aumento da concorrência tem levado a que o fenómeno da internacionalização não se restrinja apenas a empresas exclusivamente vocacionadas para as atividades externas.

Recordo frequentemente um empresário que me marcou: “há empresas que encaram a internacionalização como a cura para todos os [seus] males. Por isso, o meu conselho é simples: comprem um caixão antes de se aventurarem, porque fica mais barato”. Apesar de um certo exagero, ainda existe a ideia de que a internacionalização resolve todos os problemas da empresa e isso nem sempre é verdade.

São várias as motivações para a internacionalização empresarial (Martín e López (2007)):

  • A redução de custos
  • O alcance de um tamanho mínimo eficiente
  • A busca de recursos
  • A diminuição do risco global
  • A exploração de recursos e capacidades

Além daquelas, o ciclo de vida da indústria, a procura externa, o acompanhamento de um cliente e a globalização do mercado de atuação, são igualmente possíveis influências.

Note-se, no entanto, que as empresas ficam mais expostas a riscos e incertezas, e existem alguns obstáculos que devem ser acautelados:

  • Falta de apoios ou incentivos para a internacionalização
  • Desconhecimento das especificidades dos mercados-alvo
  • Falta de quadros com competências adequadas
  • Dificuldades relacionadas com a legislação
  • Dificuldades logísticas
  • Dificuldade de mobilização de recursos financeiros

Um processo de internacionalização acarreta o investimento de recursos e, dada a sua relevância, os custos associados devem ser medidos e contabilizados (Eriksson & Johanson, 1997):

  • custos diretos (custos de transporte, salários, obtenção de informação dos novos mercados, entre outros)
  • custos associados às mudanças dentro da própria empresa (treino e formação dos funcionários, mudanças de rotinas, de sistemas e de procedimentos) (Eriksson & Johanson, 1997)

A este propósito, relembro as palavras de Stewart Black, professor do INSEAD:  tão ou mais importante que as competências técnicas dos profissionais, é a sua capacidade de se adaptarem à cultura do país de destino.

Em resumo, dependendo do tipo de empresa, do produto, do local, e das capacidades e recursos da empresa, a forma como decorrerá o processo de internacionalização certamente variará. Da mesma forma que estão sujeitas a estímulos e motivações para iniciar o seu processo, as empresas podem também ser reprimidas por obstáculos e dificuldades que as obrigam a uma reflexão consciente e responsável. Assim sendo: internacionalizar JÁ! ou JÁ?

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Ana Nunes Silva
Mistery Shopper, Formadora e Consultora em Gestão Comercial e Marketing, Internacionalização de empresas e Atendimento (ou similar)

 

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