Será o mercado aquilo que pensamos ser?

Numa sociedade que, dia a dia, se manifesta cada vez mais competitiva, é notória a preocupação existente com os conceitos de inovação e de empreendedorismo.

Apenas com um elevado cariz empreendedor, que garanta características diferenciadoras para promover a mudança e a possibilidade de desenvolvimento económico, é que pessoas ou organizações se conseguem destacar num mercado cada vez mais competitivo.

Hoje, reconhece-se que profissionais e organizações deverão possuir capacidades para promover a inovação de forma continuada, através de ideias e processos, por forma a garantirem a possibilidade de maiores sucessos.

Para Leite (2006) a inovação é a base do empreendedorismo e este o principal elemento da competitividade das organizações num contexto socioeconómico. Drucker (1986) refere que a inovação não é ciência nem tecnologia, mas sim uma mudança no cenário económico ou social, uma alteração no comportamento das pessoas.

Podemos dizer que a inovação é considerada uma criação ou “apenas” a renovação de algo já existente, concebido através de estudos e observações visando a criação de soluções aceites pelos consumidores.

É precisamente sobre este último ponto que incide a nossa abordagem. Os estudos de mercado deverão fundamentar o conceito estratégico de inovação ou servir para enquadrar esse mesmo conceito num determinado mercado?

Face à importância de criar propostas de valor no âmbito da estratégia empresarial, quer através do conhecimento dos fatores internos quer dos fatores externos, salienta-se a importância que deve ser dada ao cliente, estudando-o por forma a que se consiga adequar uma proposta de valor. Apenas um profundo conhecimento dos públicos permite à organização atingir os seus objetivos.

Neste sentido torna-se fundamental identificar:

  • Qual o segmento que se pretende atingir?
  • Que necessidades é que procuramos satisfazer?
  • De que forma é que é avaliada a minha proposta de valor?
  • Como é que a proposta de valor se diferencia da concorrência e é percecionada pelo público?
  • Que tipo de relação é que os clientes esperam da minha organização?

Estas são questões que nos permitem identificar um conjunto de indicadores, garantindo o fortalecimento do conhecimento e a possibilidade de uma maior e mais eficaz relação com os públicos.

Neste sentido, parece-nos importante salientar as etapas que nos permitem chegar à informação desejada.

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Numa perspetiva mais alargada destacamos a importância da pesquisa exploratória dado ser significativamente relevante na procura de informações sobre a natureza de um qualquer problema. Face à existência, muitas vezes existente, de um diminuto conhecimento sobre as matérias em questão, a ausência de uma estrutura definida permite que se obtenha uma pesquisa mais profunda e com ideias mais abrangentes sobre o que se deseja estudar. Este tipo de pesquisa acaba por ser mais significativa aquando de processos de inovação, considerando a existência de diversos processos que possam originar novos produtos e processos.

Dando destaque às duas grandes abordagens, no que concerne aos métodos e técnicas de pesquisa, devemos considerar:

Método Quantitativo

Caracterizam-se pela quantificação das modalidades de recolha de dados e pela utilização de tratamento estatístico. Estes, são de cariz factual e, ao quantificarem os dados, possibilitam a generalização dos resultados de uma determinada amostra para a população-alvo. Os mesmos permitem a mensuração de opiniões, reações, hábitos e atitudes num universo, através de uma amostra estatisticamente representativa. No entanto, apresentam dificuldades em estabelecer relações de causa-efeito e a negligência dos significados e das motivações dos intervenientes.

Método Qualitativo

Descrevem a complexidade de um determinado problema tendo em consideração os vários componentes de uma determinada situação. Esta metodologia de pesquisa é normalmente utilizada em casos de amostras mais reduzidas por forma a aprofundar o conhecimento das mesmas. É uma pesquisa dirigida principalmente a uma perspetiva compreensiva, onde o estudo é visto de uma forma mais ampla, numa busca de ideias e soluções. Muitas vezes a metodologia qualitativa abre as portas à quantitativa, através da recolha de informação dirigido à construção de questionários. Genericamente, permitem a compreensão de temas de forma mais ampla, garantindo uma análise social mais objetiva. No entanto, não invalida a visão e a subjetividade do investigador.

Neste sentido, qualquer análise antecipada de mercado permite à organização tomar decisões estratégicas, no âmbito da inovação, antecipando-se a padrões comportamentais e a tendências de mercado, através de um melhor conhecimento dos seus públicos.

Kinnear (1996) afirmou que “… um estudo de mercado é uma abordagem sistemática e objetiva do desenvolvimento e fornecimento de informação para o processo de decisão em Marketing”. Neste sentido, podemos afirmar que os estudos de mercado se apresentam como um passo antecedente ao conhecimento possibilitando dar resposta às necessidades dos clientes.

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Pedro A. Trindade

Docente Universitário

Formador e consultor de comunicação e marketing

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