Empatia na Gestão de Recursos Humanos

A empatia pode interferir nas relações profissionais, e saber lidar com esta questão é muito importante no ambiente organizacional. Estamos a caminhar para um mundo cada vez mais complexo e essa complexidade, proporcionada pelo aumento da velocidade das mudanças, também afecta, e muito, a forma como interagimos com as pessoas.

Segundo alguns especialistas, as organizações que mais se têm vindo a destacar na gestão de pessoas, são precisamente as que sabem muito bem onde querem chegar e tem a certeza de que dependem dos seus colaboradores para alcançar os seus objectivos. De formas simples, essas empresas conseguem reduzir o grau de incerteza, que é um grande gerador de tensão, agem com empatia, e, ao estabelecer uma comunicação directa e aberta, definem planos de acção baseados na identificação dos pontos que mais impactam na satisfação profissional dos seus colaboradores.

 Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que outra pessoa sentiria caso estivesse na mesma situação. Consiste em compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objectiva e racional o que sente o outro.

A empatia leva as pessoas a ajudarem-se umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo – e à capacidade de ajudar.  A capacidade de se colocar no lugar do outro, que se desenvolve através da empatia, ajuda a compreender melhor o seu comportamento em determinadas circunstâncias e a forma como toma as decisões.

Ser empático é ter afinidades, é identificar-se com outra pessoa. É saber ouvir os outros, compreender os seus problemas e emoções. Quando alguém diz “houve uma empatia imediata entre nós”, isso significa que houve um grande envolvimento, uma identificação imediata. 

Como pode a empatia interferir nas relações interpessoais?

Conhecer um pouco mais sobre a história de vida dos colaboradores, qualquer que seja a sua posição hierárquica, identificar os seus sonhos e desejos, ouvir de forma verdadeira e apoiá-los nos momentos de dúvida e de tomada de decisão.

Atitudes como estas, tomadas de forma efectiva e coerente, têm o poder de elevar as relações interpessoais a um novo patamar, passando a ser regidas pela confiança e cumplicidade, alcançando níveis de compromisso muito superiores aos encontrados nas organizações hoje em dia.

A utilização da empatia no dia-a-dia profissional deve ser feita respeitando o tempo e o espaço de cada um e a palavra para alcançar os objectivos pretendidos é persistência.

As relações entre duas ou mais pessoas não mudam drasticamente de um dia para outro. Este é um trabalho que deve ser feito de forma coerente e persistente. A mudança deve ser verdadeira, pois todos nós acabamos por percepcionar quando nos querem manipular!

Existem diferentes tipos de empatia?

A literatura sobre o tema apresenta três tipos de empatia, porém é muito variável no diz respeito à sua interpretação.

  • Empatia Cognitiva – é aquela em que se consegue saber o que a outra pessoa está a pensar ou a ver;
  • Empatia Emocional – é aquela em que se consegue saber o que a outra pessoa está a sentir. Nos casos em que a conexão com a pessoa é muito forte, sente-se até o que a outra pessoa está a sentir.
  • Preocupação Empática – é o impulso que nos move a ajudar o outro.

Como contornar a situação quando sentimos que a empatia não é genuína?

 Diria que não existe falsa empatia, mas sim a utilização da empatia com “segundas” intenções e essas, quase sempre, têm a sua origem nas necessidades ou motivações pessoais ou profissionais. Por exemplo profissionais que para atingir os seus resultados utilizam informação pessoal para “manipular” as situações com o intuito de obter benefícios.

Para evitar esse tipo de situação, é necessário estar atento e saber dizer “Não”. Essa palavra, expressa de forma assertiva, possui um grande poder, e se bem utilizada, determina quais são os seus limites. Por exemplo, quando o seu superior lhe solicita a realização de actividades muito acima das suas capacidades ou conhecimentos e utiliza a empatia para o tentar convencer o seu “Não”, juntamente com argumentos justos e convincentes, estabelecerá o seu limite, garantindo a eficiência e qualidade do seu trabalho!

Armadilhas da empatia?

Complacência é a primeira delas – ao conhecer melhor a história do seu colaborador e conseguir estabelecer uma identificação emocional mais fácil, é possível que possa existir menos rigor em algumas situações.

O paternalismo é a segunda armadilha – a conexão alcançada através da empatia pode fazer com que privilegie um colaborador sem a utilização de critérios justos.

A falta de ação é a terceira armadilha – quando a conexão com a outra pessoa se torna muito grande a ponto de nos identificarmos plenamente com os seus problemas e aflições, é possível que não consigamos sair do estado do “muro das lamentações”.

Para não sermos complacentes, nem paternalistas, nem ter falta de acção, devemos lembrar que existem critérios de avaliação e de justiça que devem ser utilizados para nortear nossas acções. É preciso que mesmo tendo uma forte capacidade de empatia, consigamos de forma consciente separar o eu e o outro. Em toda e qualquer situação profissional, o alvo de avaliação é o comportamento e não a pessoa. Aquele comportamento foi o mais adequado naquela situação, com aqueles meios?

E você, é uma pessoa empática?

Que papel tem a Empatia na sua vida e na sua organização?

Manuela Magno

Manuela Magno
Life & Executive Coach, Formadora | Consultora, Certified Professor in Enneagram & Eneacoaching, Mestre de Reiki Usui Shiki Ryodo

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