Navegadores de paradoxos são os que mais acrescentam valor ao negócio

A propósito da sua vinda a Portugal, para o Seminário “On the Future of HR“, organizado pela Vantagem+ e que se realiza já dia 10 de Novembro, Dave Ulrich respondeu às questões da Revista Pessoal:

Pessoal (P): Tendo em conta a experiência acumulada ao longo de quase 30 anos de estudo das competências dos profissionais de Recursos Humanos, que balanço faz da evolução dessas competências até à atualidade?

Dave Ulrich (DU): As questões dos Recursos Humanos são cada vez mais fulcrais para o sucesso do negócio e, por isso, as expectativas em torno da área são, hoje, maiores do que nunca. Decididamente, sou um optimista no que respeita aos Recursos Humanos. Enquanto uns profetizam problemas e dizem às pessoas que o que as espera é o inferno, outros preferem encarar os problemas e dar às pessoas um roteiro para o céu. No que aos RH diz respeito, agrada-me pensar que me enquadro nos últimos. A minha missão passa por ajudar os profissionais da área a evoluírem e a corresponderem a expectativas reais. 

Pessoal (P)O que pretende exatamente significar com o conceito de fora para dentro?

Dave Ulrich (DU): Os critérios para o sucesso dos RH evoluíram em quatro vagas: a primeira é a eficiência administrativa em que os RH gerem os termos e condições de trabalho, de modo a construir organizações eficientes. A segunda é a excelência funcional, na qual os RH constroem e transmitem as suas práticas em assuntos relacionados com o pessoal, a formação, a comunicação, as remunerações, etc. A terceira vaga é o RH estratégico, onde estas práticas que acabei de descrever são alinhadas de modo a assegurar a estratégia empresarial. Neste âmbito, a estratégia não é senão uma espécie de espelho em que os RH reflectem o seu trabalho. A quarta vaga é a que está relacionada com a sua pergunta, com o conceito de fora para dentro, onde as práticas de RH se alinham com as condicionantes externas do negócio e stakeholders, como clientes e investidores.

Pessoal (P): Na sua opinião, quais são, atualmente, os problemas que mais afetam os profissionais da área?

Dave Ulrich (DU): Ainda que, à partida, possamos pensar que os principais problemas da área estão relacionados com uma eventual dificuldade adaptativa às recentes ferramentas de RH, creio que será útil encararmos o problema de um modo mais abrangente, e atentarmos talvez à forma como poderão os RH continuar, de facto, a acrescentar valor. 

Pessoal (P): Preocupações mais estratégicas do que operativas, portanto…

Dave Ulrich (DU): Creio, essencialmente, que, a bem dos resultados, os profissionais da área deverão manter uma postura inovadora nas suas práticas no que respeita ao talento, à liderança  e à cultura, e não só através de estratégias que visem colaboradores, quadros superiores dentro da organização, clientes e investidores, mas também a própria comunidade exterior. Os profissionais de RH têm de desenvolver uma mentalidade de constante aprendizagem, devendo focar-se menos no que fazem e mais no valor que criam para os outros. É importante que invistam em si próprios através da formação, da experiência e de um permanente cultivo da curiosidade.

Pessoal (P): E, como poderão os gestores transformar aquilo que aprendem em teoria, em práticas efetivas de RH?

Dave Ulrich (DU): Os teóricos explicam as razões segundo as quais as coisas acontecem; os práticos fazem-nas acontecer. Na minha opinião, para ser boa, uma teoria tem de ter por base problemas que os gestores enfrentam no seu dia a dia. Por outro lado, uma boa prática terá também de ter por base uma teoria, para que, por ex., esta possa ser replicada ao longo do tempo. Assim se vê a sua excecional utilidade. Os gestores que procuram melhorar, devem questionar-se permanentemente sobre as razões segundos as quais as coisas funcionam ou não determinado modo. Não será certamente útil saltar de situação em situação de forma insensata… Será bem mais proveitoso encontrar os padrões de actividade que levam a que determinada situação seja bem sucedida, para que, numa circunstância futura e análoga, possam ser replicados, de modo a agilizar processos.  

Pessoal (P): Como perspetiva o futuro da gestão de pessoas?

Dave Ulrich (DU): A nossa pesquisa constatou que uma ação colaborativa tem quatro vezes mais impacto no desempenho de uma empresa do que o talento individual. Assim sendo, prevejo um enfoque crescente em temas como a competência, a cultura e as metodologias. Estes dados serão partilhados no livro Victory Through Organization, que será publicado brevemente. Também considerámos a necessidade de utilizar práticas internas de RH – especialmente no que se refere ao talento, liderança e organização -, de modo a conseguir assegurar o valor no exterior. Esta é a abordagem utilizada em Leadership Capital Index, trabalho em que expomos valor de mercado da liderança. Por último, chegámos à conclusão de que os profissionais de RH que mais valor acrescentam ao negócio são os designados navegadores de paradoxos, que conseguem gerir a tensão sem gerar conflito e conseguem discordar sem serem desagradáveis.

(Entrevista de Dave Ulrich publicada na Revista Pessoal, edição de Outubro de 2016).

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